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24 de dezembro de 2013. Eu acordei de um jeito diferente.Não neva aqui no Rio de Janeiro, não saímos ás ruas pra fazer um enorme boneco de neve ou cortar um pinheiro pra enfrentar a árvore. Pessoas não batem à minha porta pra cantar canções natalinas, mas em todo lugar que eu vou escuto a voz da Simone dizendo "Então é Natal...". Acho que as vendas dos CD's dela aumentam consideravelmente nessa época do ano.
Meu Natal começa muito antes de dezembro;depois do Dia das Crianças eu fico apenas esperando a Leader soltar a propaganda "Já é Natal na Leader Magazine...",ano passado ela resolveu dar uma "roupagem nova" e não agradou, pelo menos alguma coisa tem que se manter fiel.Após anunciar pra quem quiser ouvir que o Natal tá chegando, começa o súbito aumento dos preços dos produtos.As coisas duplicam,até triplicam de preço,acontecem diversos lançamentos de cd's,gadgets,brinquedos, qualquer cacareco que possa ser vendido. Eu,como boa "filha-do-pai",ia esperar janeiro e fevereiro pra comprar.O grande problema de fazer isso é que é muito difícil encontrar algo realmente bom,só tem as pontas de estoque,as coisas legais estão em falta e vc tem que ficar garimpando o tempo todo. Acho um saco andar a esmo no shopping, e agora que descobri a vida de compradora on-line, só vou comprar ao vivo em casos de necessidade.Comprar é o motivo principal do Natal. Esqueça um pouco o Papai Noel e o Menino Jesus. O que interessa é ganhar presente,e pra ganhar presente bom, você tem que dar um presente bom [assim espera-se].Tem os que preferem dar/receber lembrancinhas que possam ser repassadas naquele aniversário zica que você não faz ideia do que presentear :prepare-se pras meias,sabonetes,perfumes nada a ver da Natura,essas coisas.Shoppings lotados são uma consequência, mas quem precisa de shopping com compras on-line?
Outro problema no Natal são as crianças. Não interessa se ela acredita ou não em Papai Noel , elas querem aquela coisa linda-fofa-maneira-supercara que apareceu na televisão massivamente nos últimos dois meses [malditos lançamentos!]. Me lembro de um Natal que eu queria a Susi Mergulhadora.Ela era articulada,vinha com equipamento de mergulho e só. Foi um prazer inigualável ganhar "aquela" Susi,mas,no final,era só uma Susi com apetrechos.Não faço ideia do quanto tenha custado, mas sempre penso nela nessa época de Natal. Ainda a tenho,sem todas aquelas coisas,obviamente,mas está intacta [não passou pela minha fase "cabeleireira"].As crianças são exigentes,os pais se endividam e os brinquedos muitas vezes não duram nem 1 mês.Isso é um fato,a culpa não é do Natal,ou da mídia. É de você que não diz "não" pro seu filho.
Eu ganhei a Susi,mas nunca ganhei a casa da Barbie e não fui pra terapia. Não por isso.
Duas coisas não mudaram pra mim durante os anos: amo ver os filmes de Natal e ganhar livros de presente. Ao contrário do especial de Páscoa, eu adorava assistir ao antigo Cartoon Network [R.I.P] o dia todo no especial de Natal. Passava desenhos específicos dos meus cartoons favoritos, o filme do Grinch, Christmas Carol e outros que não lembro. Tenho medo de ligar a TV no CN hoje e me decepcionar, mas vai que me surpreendo?Não vou falar de Especial Roberto Carlos na Globo porque Natal não é só coisa ruim,mude de canal ou vá por o disco da Simone.
Eu amo livros, isso não é novidade.Esse ano decidi o que fazer da minha vida então comecei a colecionar quadrinhos.Nunca comprei tanto quadrinho de uma vez,e ainda quero mais.O "espírito capitalista de Natal" e os preços "baixos" na internet estão conseguindo me seduzir. A alegria de receber um livro que você tanto queria, rasgar o plástico, cheirar e cheirar [aficionados entenderão] e depois saborear ávidamente cada palavra deve ser melhor do que qualquer droga natural ou sintética.Essa época é uma ótima oportunidade de fazer aquela lista amiga bem carinha [com todos os livros que você não tem coragem de comprar do seu bolso,mas que o parente não precisa saber] pra ajudar os "indecisos" que dizem que você é uma pessoa "difícil de presentear".Me deem livros,ora!Se eu não gostar,eu troco!
Quando chega a noite de Natal,com a mesa posta, a família reunida, a musiquinha natalina,a árvore lotada, eu consigo sentir uma "pontinha" de felicidade.Num pequeno instante eu me engano e penso "é assim que um Natal deve ser","cheio de amor e ternura,fartura,alegria e presentes".Mas não adianta ter a melhor rabanada, o pisca-pisca mais brilhante e o maior nº de presentes se você não sentir o "amor" de verdade entre os que estão a sua volta. Não estou dizendo que todos se odiavam na minha casa,longe disso. Mas aquele ritual parece tão mecânico que não sei se os sorrisos,as piadas e conversas são genuínas ou apenas "parte do pacote-Natal".Daqui a alguns anos, com meus próprios filhos, vou querer um Natal com neve,pinheiro,rabanada,cantatas,presentes,boa vontade e ,acima de tudo, muito amor.

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