Desde que atingi a “gloriosa maioridade”, que nada me
mudou além de ter que tirar outra identidade e ser obrigada a votar esse ano,
esse assunto de balada veio com mais força:“Precisamos sair! Ir pra balada, beber, pegar gente!”.Eu, mera mortal, recém-chegada ao mundo dos “jovens-adultos”
sempre escuto isso quando reclamo do tédio da vida. Parece que quando você tem
dezoito, não há mais nenhuma justificativa para que não queira ir pra balada
beber drinks cujos nomes são maiores que a dose, fazer aquela dancinha meia
boca na pista, apenas esperando que um cara que você nunca viu e nem vai ver
outra vez comece a te agarrar.
Não, obrigado.
Eu já passei por isso antes, e foi em algumas festas de 15
anos. Eu me diverti horrores em muitas delas, dancei até meus sapatos me
matarem, e depois dancei descalça. Não estava nem aí se eu dançava esquisito,
se estava feliz demais, se tinha algum carinha me olhando... Bom, eu deveria
ter prestado atenção sim, mas fazer o quê? E agora com eu tenho a chance de
reviver os momentos bons de dançar como se não houvesse amanhã, mas não
significa que quero gastar meu rico dinheirinho em qualquer festa que acontece,
sei lá, três vezes no mês! Tem que ser um lugar que toque música legal, pois é pra
isso que estarei lá. Se você vai pra encher a cara ou tirar o atraso aí é contigo,
não te condeno não, é só que ficar cinco horas ouvindo “tuntz tuntz” sóbria não
é legal.
Agora vamos ao título desta crônica. Para muitas pessoas que
eu conheço, inclusive próximas, se você não for à balada não vai encontrar o
cara da sua vida. Na verdade, se você ficar em casa em vez de praticar uma vida
“solteira casual de pegação” está perdendo sua preciosa juventude, é uma
romântica esperando o príncipe encantado, e vai morrer sentada no sofá.Pode me chamar de velha, “old school”, “antiguinha” ou “atrasada”
[ou até de baranga, mal-amada, sei lá o q esse povo diz], mas eu não vou beijar um
cara só porque ele é bonito, veio falar comigo, pagou uma bebida [ou nem isso]
e tem um papinho legal. Isso lá é razão suficiente pra eu sair metendo a língua
na sua boca? Eu nem te conheço!
“Essa coisa de
relacionar beijo com sentimento e muito extremista, você tá perdendo a
oportunidade de experimentar coisas legais, de curtir sem ter envolvimento
nenhum”.
Sim, eu estou
superestimando um ato que hoje é banal, e nem estou falando de sexo, vejam bem!
Quando eu saio, quero conhecer gente nova, aumentar meu círculo social,
interagir, sabe? Se eu conhecer alguém que me interesse, vou tentar desenvolver
as coisas com a pessoa, ver se rola um clima... Aí a coisa é diferente, pelo
menos pra mim.
Meu caro ninguém, eu vou sair pra uma festa, botar a minha
roupa mais bonita, exibir meu melhor sorriso, ficar sóbria pra aproveitar todas
as músicas que tocarem [e porque não sou tão amiga do álcool assim] e pronto.
Não quero a pressão de achar que o cara ali com Halls preta na boca andando na
minha direção é a minha chance dourada de “aproveitar a juventude” , “ser
moderna” e “não morrer solteira”.